Preservar ou retirar os ovários: o que considerar antes da decisão

A decisão entre preservar ou retirar os ovários durante uma cirurgia ginecológica, especialmente em casos como histerectomia, é uma das mais importantes e delicadas da saúde feminina. Trata-se de uma escolha que impacta diretamente o equilíbrio hormonal, a qualidade de vida e a saúde a longo prazo da mulher.
Por isso, não existe uma resposta única. Cada caso deve ser avaliado de forma individualizada.
Qual é a função dos ovários no organismo feminino?
Os ovários são responsáveis pela produção de hormônios essenciais, como estrogênio, progesterona e androgênios. Esses hormônios influenciam:
- Ciclo menstrual
- Saúde óssea
- Saúde cardiovascular
- Função sexual
- Humor e bem-estar
- Metabolismo geral
Mesmo após a retirada do útero, a manutenção dos ovários permite que o organismo continue produzindo esses hormônios até a menopausa natural.
O que significa retirar os ovários?
A retirada cirúrgica dos ovários, chamada de ooforectomia, leva à menopausa imediata, independentemente da idade da paciente. Isso pode provocar sintomas como:
- Ondas de calor
- Alterações do sono
- Ressecamento vaginal
- Queda da libido
- Alterações de humor
- Aumento do risco de osteoporose e doenças cardiovasculares
Em alguns casos, esses efeitos exigem acompanhamento médico e tratamento específico.
Quando a retirada dos ovários pode ser indicada?
A ooforectomia pode ser considerada em situações específicas, como:
- Suspeita ou diagnóstico de câncer ginecológico
- Lesões ovarianas complexas ou recorrentes
- Endometriose ovariana avançada, com comprometimento importante
- Alto risco genético para câncer de ovário ou mama
- Dor pélvica refratária associada ao ovário
Nesses cenários, os benefícios da retirada podem superar os riscos hormonais.
Quando preservar os ovários costuma ser a melhor opção?
A preservação ovariana é frequentemente considerada quando:
- A mulher ainda não entrou na menopausa
- Não há doença ovariana significativa
- O objetivo é manter a produção hormonal natural
- Existe preocupação com qualidade de vida a longo prazo
- A cirurgia é indicada por doença benigna
Preservar os ovários pode reduzir riscos futuros relacionados à saúde óssea, cardiovascular e metabólica.
Idade e fase de vida fazem diferença?
Sim. A idade é um dos fatores mais importantes nessa decisão. Mulheres mais jovens tendem a se beneficiar da preservação ovariana, enquanto em idades mais avançadas a avaliação pode ser diferente.
Além da idade cronológica, devem ser considerados:
- Sintomas já existentes
- Histórico familiar
- Desejo reprodutivo
- Condições clínicas associadas
A decisão deve ser compartilhada
A escolha entre preservar ou retirar os ovários não deve ser automática nem protocolar. Ela precisa ser baseada em:
- Avaliação clínica detalhada
- Exames de imagem e laboratoriais
- Diagnóstico preciso
- Expectativas e valores da paciente
- Impacto na qualidade de vida
O diálogo aberto entre paciente e ginecologista é fundamental para uma decisão consciente e segura.
Preservar saúde vai além da cirurgia.
Nem sempre retirar é sinônimo de resolver, assim como preservar nem sempre é a melhor opção. O foco deve estar no equilíbrio entre tratamento adequado da doença e cuidado com o futuro da mulher.
Cada decisão deve respeitar o corpo, a história e o momento de vida da paciente.

